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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O amor snifa-se?

Se me perguntarem quem sou, a primeira coisa que me vem à cabeça é: "sou mãe". 


Então, só depois me detenho nas caraterísticas que me definem, da pele que me limita e que me dá forma, distinguindo-me dos outros. 

Quando o meu primeiro filho nasceu percebi o que realmente era o amor. Chegava a "faltar-me" o ar de gostar tanto...achava que mais ninguém no mundo era mãe a não ser eu! (uma utopia que a maior parte das mães vive nas primeiras horas, dias...!) 

Na segunda gravidez, apesar de me sentir mais segura, vieram  mais medos, angústias e receios...mas também certezas! A certeza que, por mais difícil que fosse gerir a possibilidade do ciúme do mais velho, que iria amar a C. como se não houvesse amanhã! E assim é...(não me enganei nadinha!)


Mas, não fosse eu a miúda (33 anos dá ainda para chamar miúda, certo?) com alguns lapsos de memória, iogurtes fora da validade, com apetência a suceder coisas menos normais (ok..fora do comum..ou mesmo estranhas) este post seria tão normal como lavar os dentes ou beber um copo de água. Mas temo que não seja.

Ora recordemos a minha idade da adolescência, ou melhor, a idade das minhas parolices, popas no cabelo com laca new wave, argolas nas orelhas do tamanho da London Eye, descolorantes no cabelo, borbulhas, obsessão por jogadores de futebol do Benfica, Kurt Cobain, Axl Rose, Freddie Mercury, Linda Perry, Johnny Deep, etc, etc...e....perfumes!
E se estava!....


Sou um ser humano peculiar no que diz respeito ao meu sentido do olfato, no bom e mau sentido. 
O meu nariz em forma de pessoa, mais coisa menos coisa.

A minha capacidade tanto está para o reconhecimento de perfumes noutras pessoas e cozinhados gourmet como está para o reconhecimento de transpiração (ou dito de forma fina e elegante: "sudorese"), queijos fora do prazo, sopas envinagradas, canos entupidos, hálitos cetónicos, caspa (mesmo à distância), xixi de gato, etc. Posso dizer-vos que, na maior parte do tempo, é doloroso (penoso, excruciante, lancinante..deve chegar para vos dar a ideia!) possuir um nariz tão talentoso e inteligente (uiiiii....!!). (Curiosidade: Um dos meus passatempos favoritos, em adolescente, era descobrir quais os perfumes das pessoas!...Não devia ter mais nada que fazer!!!)
Ora aí está!

Seria então de esperar que  algumas dificuldades de gestão olfativa me invadissem nos momentos mais difíceis de ser "mãe quando o pai agora não pode mudar a fralda senão vomita ou está cheio de dor de cabeça porque está 8h a trabalhar enquanto a mãe está de licença em casa!"...
Jan Miense Molenaar, Smell, 1637

Assumindo estas minhas esquisitices...e contra todas as expetativas eis que tenho algo a confessar!
Apesar do meu super olfato, há coisas que eu adoro cheirar nos meus filhos e que se fosse noutra qualquer pessoa eu estaria, no mínimo, em coma! 

Ora aqui vai a lista:

1. a cera dos ouvidos
2. o hálito quando acordam e bocejam
3. o "ranhoco" do nariz
4. as "bufas" inofensivas
5. os dedos dos pés
6. as unhas cheias de plasticina
7. cocó independentemente da consistência
8. as meias
9. o cabelo (sujo ou lavado)

Explicação para isto?....Não me parece...é  apenas o amor em forma de cheiro!







4 comentários:

  1. cera??? essa não sabia!

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  2. Ja eu, vi a ranhoca da pequena C. no outro dia e ia pondo o almoço ca pra fora mesmo a tua frente... Isto de ser mãe e algo que ainda esta muito para alem do meu entender ..

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  3. É verdade! Não precisas de entender menina...precisas de parir...depois o restante vem naturalmente! :)

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