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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"Dama, é na boa!"

Ter ido para a faculdade para Lisboa foi um grande desafio. Ser um bocadinho ingénua e ter vivido sempre numa aldeia pequena até aos 18 anos sem grandes loucuras  e maluquices, não me foi propriamente abonatório à minha adaptação inicial.
Ora aqui está um desafio nada a ver com o meu.

Pensar que a malta depois das aulas não ia fumar só uns cigarros ou que os convites para o cinema do sexo aposto não eram assim tão inocentes foi algo que fui descobrindo logo no primeiro ano. Nesse ano, não nos chamavam caloiros mas sim "vermes nojentos" e, nesse condição de verme, a única coisa que fazíamos era "baixar as hastes".
"Eles andam aí". Sim, andávamos por perto e sempre encostadinhos à parede de cabeça para baixo.

Da praxe tenho algumas recordações...Vou relembrar três..
A primeira passou-se logo no dia da inscrição em que tive de subir a um pilar altíssimo gritar palavras menos simpáticas a um veterano que não conhecia (com os meus pais a assistir com cara de poucos amigos)! 
Podia ser assim...mas não foi!

A segunda foi vestir uma t-shirt durante uma semana e que, entre vários escritos simpáticos, constava: "apalpa-me o rabo" e "sou lésbica".

A terceira ocorreu no famoso dia do desfile. Nesse dia fomos todos em fila indiana (tipo jardim de infância) com as mãos nos "glúteos" (ou rabiosque, nádegas...como preferirem...) uns dos outros (ideias dos estudantes de E.física)! Para alguns isto era uma cena gira, mas para mim era um sacrifício enorme! 
Ora quando ninguém estava a ver, eu tirava logo a mão do fundo das costas do colega... mas o meu par era um bocadinho esquecido (ou fazia-se de mula!) até que perdi as estribeiras e enfurecida elhe disse que já chegava...ao qual ele responde: "Vê lá...! eu só estava a fazer o que me mandaram!"... (não me ocorre qualquer comentário, imaginem porquê!)
Foi assim, mas com mais espuma na  boca.

Óbvio que naquele dia esse rapaz passou a fazer parte da minha lista negra e no meu grupo de amigos ficou conhecido como o "power ranger"(na versão infantil) e Marco Paulo (na versão adulta) já que tinha o cabelo em forma de capacete! (...ya ya Rita..muito madura tu!)
Para mim ele é e sempre será o cor-de-rosa.

Voltando à faculdade...
Durante 5 anos morei no Dafundo, numa zona residencial onde nada acontecia. A zona mais próxima ,com alguma agitação e movimento, era Algés. 

Um dia, atrasada para fazer uma ecografia em Algés, resolvi estacionar o carro num parque (que estava quase sempre cheio), junto de umas bombas de gasolina. Nesse dia tentei a minha sorte! Havia apenas um único lugar e estava destinado a ser meu.

Estacionei, abri a carteira (havia sempre policia por perto!...nunca iria arriscar não por o ticket) e reparei que não tinha dinheiro (hábito frequente enquanto fui estudante!). Estava cada vez mais atrasada, sair dali não era solução pois era hora de ponta seria impossível arranjar novo estacionamento, foi então que parei para pensar, olhei em volta e arranjei a solução (ufa!).
Sentia-me assim. Vá...inteligente, pronto!


Fui ter com o arrumador de carros e pedi-lhe dinheiro emprestado para o parquímetro. Quando o abordei e lhe expliquei a minha situação ele olhou para mim e disse:
"Dama, é na boa!"

Bem haja.

4 comentários:

  1. muito bom! também tive 2 situações assim! E "era na boa!"
    Os Mantras dos arrumadores de carro! UAU

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  2. Muito bom! Enquanto estudante morei em Algés e tinha um arrumador que era amigo e protector, uma vez tinha a forra do meu carro pendurada e ele, sem eu pedir, meteu-se debaixo do carro e colocou-a no sítio! :)

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    1. Se calhar era o mesmo!!!
      ;)
      Obrigado pela partilha!!

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