Naveguem por este mundo sem validade!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Na minha gaveta...

...guardo o bom e o mau.  Guardo o silêncio da injustiça e o clamor da justiça. Guardo a espera e a pressa. Guardo o respeito, o meu e o dos outros. Guardo em mim as palavras que não digo, que não me dizem, que nunca me dirão. Guardo em mim a certeza de querer o melhor de mim e dos outros. Guardo a calma da verdade. A minha. Aquela que deixou de ter voz. Aquela que foi julgada e se mantém em hibernação forçada. Aquela que está na minha gaveta. 
Vou lá deixá-la por tempo indeterminado.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Querem saber como tornar a inspeção do vosso carro menos demorada?

...experimentem ir com a carro a feder a vómito da gastroentrite do vosso filho de 5 anos, umas horas antes. Não me pareceu, de todo, uma boa ideia (era impossível lavar estofos antes...prazos a acabar!), mas resultou.
...E eu limpei com lava-tudo, lixívia, vaporizei com neutralizador de odores e tudo. Imaginem se não o tivesse feito?

segunda-feira, 20 de março de 2017

Não é o que todas as mães fazem?

Um destes dias, o mais velho brincava com a irmã mais nova aos “nascimentos”. Por todo o lado nasciam bebés. Os bebés vinham em modo de cobertores, mantas, malas e até um casaco serviu para o efeito. Tudo vale no faz de conta. Atarefados, no corredor, o mais velho anunciava:
“Mamã, olha aconteceu uma coisa maravilhosa. Nasceu mais um bebé.” A mais pequena trazia os cobertores enrolados, pedia o silêncio aos adultos (tinha um bebé ao colo e não se podia fazer barulho) e o mais velho, médico responsável dos partos, dava todas as recomendações à mais recente mamã, a pequena. Estiveram nisto toda a manhã.
Enquanto isto acontecia, a televisão e o telemóvel lembravam-me os acontecimentos mais marcantes daquele inicio de dia. Não eram boas as notícias. Quase nunca o são. Quase sempre me situam numa realidade que eu preferia não estar. Um mundo do avesso com pretensões de andar direito.
Questiono o futuro e, confesso, sinto algum medo. Medo que os meus filhos percam a inocência de acreditar na magia do arco-íris, no rir sem preconceito, no abraçar seja quem for, na esperança de acordar em dias melhores.
Olho de fora e vejo o que está dentro. Comprometo-me na árdua, mas tão gratificante tarefa de preencher o “dentro” com aquilo que uma mãe consegue e acha necessário, para que os filhos cresçam, vivam e sonhem neste mundo sem medo.
Não é o que todas as mães fazem?
O meu amor em forma de abraço.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pack de 6 iogurtes! Tenham lá paciência...

Ponto número 1: Tenho tido dias de cão. Dias em que as ideias não fluem e os dedos não teclam. Dias de muitas horas acordada. Dias exigentes. Dias de inquietude.

Ponto número 2: Este post vai reunir os melhores seis iogurtes dos meus últimos dias.

Iogurte nº 1: Um dia destes fui às compras na hora do almoço. Guardei religiosamente o saco do supermercado no frigorífico do meu trabalho. Lá dentro encontravam-se todos os ingredientes para o jantar da família.Nota importante: havia outro saco idêntico no frigorífico, mas da concorrência. Saio do trabalho, levo o único saco que se encontrava dentro daquele eletrodoméstico e uma hora depois, com avental vestido e tachos ao lume, abro o saco e deparo-me com uma triste realidade: o saco não era o meu. Aquele tinha dois tupperware's com comida. Dei voltas à minha cabeça e descobri quem teria levado o meu saco por engano. A pessoa ainda duvidou mas eu insisti. Caramba, eram as minhas alfaces, os meus iogurtes e as minhas beringelas. 

Iogurte nº 2: Andei quatro dias com uma dor persistente no olho direito. Tinha momentos de completa escuridão e dor. Pensei que estava a iniciar um processo de doença degenerativa ocular. Temi o pior. Fui a uma optometrista. Queixei-me e ela observou-me. Mistério resolvido. O meu olho albergava dois grãos de areia. Como foram ali parar? (perguntam) Uns dias antes tinha comprado um esfoliante com sílica. Ya. Nunca ninguém me explicou que eu não podia esfoliar os olhos! Agora já sei. 

Iogurte nº 3: Um dia destes fui a Lisboa. Levei comigo duas colegas do trabalho. Mais velhas que eu (mas em muito bom estado de conservação), a temer pela minha atenção na estrada, foram fazendo algumas advertências tipo "cuidado, olha aí o carro da esquerda"..."não vale a pena ultrapassares"..."temos tempo, vai com calma". À vinda, em pleno cruzamento na Avenida da Liberdade (aqueles com linhas amarelas, onde me ensinaram que não se deve ficar parado), fico parada. A antever o pânico das minhas colegas e alguns nervos, eis que perante aquela situação teço o seguinte comentário: "olhem eu não estou aqui nada bem, mas o que está atrás de mim está bem pior". Penso que as reconfortei.

Iogurte nº 4: De manhã, muito à pressa, reparo na dificuldade em vestir as meias. Não liguei e não desisti. Primeiro pensamento: encolheram na máquina. À noite, a despir-me eis que o V. observa o seguinte:
- Mamã, levaste as minhas meias para o trabalho? 

Iogurte nº 5: Não tenho jeito para a moda, eu sei. Quando tenho tempo, vou ao espelho e faço uma análise crítica sobre as minhas escolhas. Momentos como esses são raros. Mas quando os tenho, penso na minha inocente avaliação e tenho pensamentos como este: "até nem vou assim muito mal vestida, vá".  Este pensamento dura apenas até ao momento em que nos dizem:
- Ai vens de verde! Também tenho uma roupa dessa cor. Mas não sei bem com o que é que fica bem. Deixa lá ver-te.  (pausa para o cortex visual processar a minha imagem) . Gosto de tudo, menos das sapatilhas. 
E, naquele dia, o que eu mais gostei foram as sapatilhas. 

Iogurte nº6: Na noite de Carnaval, a minha casa foi acometida pelo flagelo dos ovos. De manhã, quando me deparo com aquele cenário, o que me veio logo à ideia foi: "mas eu ontem fui às compras? Não me lembro de ter partido tantos ovos! "
Acho que tenho mesmo de dormir mais.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A minha mente é F****

Apareceu um morcego dentro da minha casa. Mudo e quedo, o gajo estava a dar-se como morto. O corajoso marido foi buscar uma pá e levou-o para a rua. Afinal, estava vivo. Lançou-se logo aos céus no fresco da noite. Foi coisa que não assisti. Dizem que é mamífero. Ya, para mim é um rato com asas. 
Nesta noite, a labuta da minha mente horrorosa foi andar a tirar morcegos do meu cabelo. 
Querem saber porque sonhei com esta cena manhosa?
Porque tenho um marido muito fofinho e que lembrou que o perigo dos morcegos nas pessoas é ficarem presos no cabelo.
Obrigadinha M.C. pela imagem e pelas horas de terror que vivi esta noite.
Tão fofo.



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Conversas com o meu filho #21

Hoje, a caminho da escola, a rádio relembrava o aniversário do Kurt Cobain. O V. conhece os Nirvana desde bebé [culpa dos pais] e diz-me o seguinte:
- Mamã o Kurt Cobain fazia quantos anos?
- 50 anos, filho.
- Então hoje o Jesus está a fazer uma festa para ele no céu!
- Pois se calhar está!
Sorri por dentro, orgulhosa do coração inocente do meu menino. Quando eu pensava que a conversa ficava por aqui...ele acrescenta:
- Então se ele faz 50 anos hoje, ele ainda não é reformado.
[isto enquanto ouvíamos "Come As You Are"]
E o dia começou assim, perfeito.