Naveguem por este mundo sem validade!

terça-feira, 4 de julho de 2017

Eu, sem filtro.

Eu sei que por aí deambulo. No aí de agora. Jogo às cartas e aguardo o meu momento. Sei que me impressiono com pouco. Sou uma má jogadora. Conto com a derrota, mas mesmo assim aguardo ali, no ali do “por enquanto”. “Por enquanto” pode ser muito tempo. Resolvo então acreditar, por enquanto. Assim, sem nada pedir, pode ser que chova. Chova daquela chuva que se gosta. Chuva que me dissolve o mal que tanto luto por destruir. Sei que no sim e no não, vive a minha incerteza. Está resguardada do tudo e do nada. É imaculada aos meus olhos. Não me quero desnudar em devaneios. Quero perder a cabeça na altura certa entre o cinismo das preposições e o inevitável da vida.

Eu, sem filtro.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Os sonhos nascem e morrem depressa.

Estou a deixar morrer este meu refúgio (eu sei e ainda assisto lentamente à sua morte). Os sonhos não me curtem. Tenho em mim, que se organizaram para me provar que sonhar é cena só para os descrentes. Os sonhos nascem e morrem depressa.
Merda.
Não me parece.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Novidades!

Tenho um novo elemento na familia: a Xica, uma gata bebé. O marido não foi muito a favor da vinda da bicha. Mas fomos 3 contra 1. Os meus filhos não me falharam. A equipa da mamã venceu. O papá M.C. ficou encantado com ela até ontem...quando na sua hora de almoço teve de assistir a um festival de cocó. O moço teve (imagino eu...) um ataque de nervos. Limpou as patas fedorentas da gatinha com toalhitas de olhos e ouvidos para animais (desenrascou-se!). Pior, foi ter levado umas arranhadelas. [Ainda estou a pensar numa forma de dar a volta a este assunto numa de: "se calhar tu até tiveste a culpa". Logo se vê...]
Ah. O Salvador ganhou a Eurovisão e eu realizei um sonho de criança [já não se lembravam pois não?]. O Benfica foi campeão e o meu primogénito consolidou e assumiu efetivamente a mudança de clube (já falava na história de já não ser do Sporting há uns dois meses...). O papá M.C. está num turbilhão de sentimentos [coitado]. O Papa esteve perto da minha terra. Mas eu não fui vê-lo [sou um ser desprezível]. Gosto e admiro o senhor. É um bacana.
Posto isto, sexta-feira é dia de teatro com os meus mestres. A Gaveta, no Entrocamento. Quem por aqui passar, está convidado a assistir. 
Até já.
Os meus mestres, esta sexta-feira, dia 19 de Maio, no Centro Cultural do Entroncamento.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ogre uma vez, ogre para sempre.

Então hoje é assim:
Amanhã faço anos. Estou em contagem decrescente. Esta manhã meti um creme de contorno de olhos na esperança de amanhã não me sentir velha. Esta noite repito o processo.
No domingo passado foi dia de fazer teatro. Fui uma ogre muito feia. Um orgulho, portanto. Depois da teatro, entrei em modo mãe. O pequeno V. estava a precisar de ser visto por um médico. Fomos ao hospital. Voltámos 3 horas depois. Cansada, deitei-me. No outro dia antes de sair para levar os miúdos à escola, lembro-me que não me penteei. Quando me vi ao espelho percebi que me tinha esquecido que no dia antes eu tinha sido uma ogre. Uma ogre daquelas que parece que saíram de um caixote do lixo. Caíram coentros da minha cabeça. Muitos. Não tive tempo de lavar o cabelo, estava em cima da hora. Na expectativa de que ninguém percebesse no trabalho, remediei o assunto (não vou entrar em pormenores é demasiado embaraçoso). Chego ao trabalho, abro a agenda e reparo numa reunião importante com Doutoras da Universidade. 
"F***" - Pensei.
Fui a casa. Voltei perfumada e airosa. A reunião correu mais ou menos. 
E para vocês terem uma ideia, eu estava assim:
Eu.
Peça de teatro "Aquilo" in https://www.facebook.com/O-Alguidar-Grupo-de-Teatro-Amador-794925680613842/

sexta-feira, 31 de março de 2017

Conversas com o meu filho #22

No WC, antes do banho, o V. começa a dar murros no ar (estava a treinar karaté) e pergunta-me:
- Mamã, eu estou a dar murros ao Jesus?
- Porquê?
- Então, tu uma vez disseste que ele estava em todo o lado.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Na minha gaveta...

...guardo o bom e o mau.  Guardo o silêncio da injustiça e o clamor da justiça. Guardo a espera e a pressa. Guardo o respeito, o meu e o dos outros. Guardo em mim as palavras que não digo, que não me dizem, que nunca me dirão. Guardo em mim a certeza de querer o melhor de mim e dos outros. Guardo a calma da verdade. A minha. Aquela que deixou de ter voz. Aquela que foi julgada e se mantém em hibernação forçada. Aquela que está na minha gaveta. 
Vou lá deixá-la por tempo indeterminado.