Naveguem por este mundo sem validade!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Não faças piadas quando estou zangada

- Não faças piadas quando estou zangada - pediu a minha pequena C.
[na verdade, uso essa estratégia para que ela se esqueça do que a está a aborrecer/provocar birra]
- Está bem - Respondi.
- Podes ser normal quando eu estou assim, não podes? - voltou a pedir de forma a assegurar a extinção daquele comportamento.
- Sim.
Momentos mais tarde e já com o assunto esclarecido, veio junto a mim [talvez, preocupada que a mãe dela pudesse perdesse a sua essencia] e pediu:
- Ó mamã, mas às vezes podes dizer piadas e fazer macacadas que eu até gosto.
- Podes ficar descansada.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O outro lado do amor

A Mia (amarela, 10 anos) e a Sushi (preta, 8 anos) existem desde sempre na vida dos meus filhos. A Mia vem acusando o peso da sua idade. Demora a levantar-se, corre menos e agora, aparecem com mais frequência feridas nas patas. Não gosto pensar no futuro sem elas, não consigo sequer concebê-lo.
A pequena C., observadora nata, perguntou-me depois de me ter avaliado a olhar para as "nossas meninas"[como a gíria diz: "um olhar diz tudo", não é?]:
- Mamã, a Mia vai morrer?
- Um dia [nem quis acreditar que disse isto em voz alta].
- Não te preocupes, quando ela morrer já não tem doi-doi nas patas - tranquilizou-me a pequena.
Mia e Sushi
O amor não tem que obedecer a regras, a ideias ou correntes de pensamento. Há amores que não se definem, nem tem de ter definição. Há amores que empedram o movimento das pernas. Há amores que sufocam e outros simplesmente alimentam. Há amores sem resposta e outros são cheios de perguntas. 
Ah...e se o amor tem lados? Não me parece.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Ornitisquiano

Os meus filhos inventaram uma nova língua: o "ornitisquiano" [que só eles entendem]. Fazem-se acompanhar por gestos e ao que parece, é suposto eu entender o que dizem. Na maior parte das solicitações, limito-me a acenar a cabeça [para não dar a parte fraca e para continuar na prateleira das "mães fixes"] como se entendesse tudo. Na verdade, a lingua que inventaram soa-me a um russo misturado com chinês, com sotaque de inglaterra. Não tem sido fácil e para fugir a esse embaraço, tenho mudado os tópicos de conversa. Um dia destes, para acabar com aquela verborreia e sem grandes ideias [confesso que naquele dia estava com acesso limitado à minha caixa pensante] mudo o tópico da seguinte forma [ah...e que numa conversa entre adultos faria todo o sentido]:
- Amanhã vai chover, sabiam?
Resposta pronta do mais velho:
- A sério mãe? Não tinhas mais nada para nos atrapalhar o raciocinio do ornitisquiano?
Acrescenta a mais nova:
- Ó mamã, ninguém te perguntou nada sobre o tempo de amanhã!
[Sim, eu sei. A  mamã iogurte deverá rever a politica de desbloqueadores de conversa com os filhos. Claramente, está a precisar de upgrade.]
[Eu e a lingua ornitisquiana] (Estátua de Sabine Weiss, 1975).

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Hoje é dia Mundial da Dança!

Não tenho memória de quando comecei a gostar de dançar. Talvez tivesse começado na barriga da mãe. As moléculas do meu corpo sofrem uma espécie de hiperatividade quando a música interna e externa se faz ouvir. O meu corpo dança sem pedir licença e eu não me importo. Eu sou este corpo que não pede licença e dança livre, sem freio ou mudanças de parágrafo.
Bonita liberdade esta. 
Feliz dia.



domingo, 28 de abril de 2019

38 anos e mais 3 cabelos brancos.

Tenho sido uma espécie de fantasma beligerante de mim mesma. Boicoto as falanges, forço-as a uma greve não planeada e permaneço assim, acomodada. Até hoje. Hoje estou aqui para um ponto da situação.

Fiz 38 anos há pouco tempo, zanguei-me com os meus cabelos [aumentei o rácio de cabelos brancos por centímetro quadrado] e, agora mais que nunca, os meus pensamentos tem-me atraiçoado pelas costas: vagueiam por trajetos que me incomodam, vão ao futuro sem pedir, ignoram o presente e, mesmo sob comandos exigentes e autoritários, eles não me obedecem. 
Como "mamã iogurte" assumida, tenho tido o meu quê de momentos hilariantes, continuo a ter uma opção alimentar diferente do habitual e isso tem dado aso a muita dissertação filosófica acerca de mim. Um senhor de 70 anos terá dito à minha filha mais nova que eu como ervas, ela chegou a casa preocupada. Nunca me tinha visto a pastar. Pois não, ela tem razão. A outra foi com o meu filho mais velho, na escola. Perguntaram-lhe se eu era herbívora, após o rapaz ter feito algumas descrições sobre a mãe. O rapaz disse que eu não era um animal. Eu corrigi-o. Afinal, ainda posso ser animal racional, certo? 

Tenho sido uma enteada de um teatro que me consome as horas dos dias e os dias das horas. O processo é moroso e o resultado tem sido interessante. No final das contas, o sono abunda, a mente necessita de exercício constante e o corpo precisa sempre de um sofá balsâmico.

Hoje foi um dia de sol e de luz e eu resolvi sair da casca e içar a bandeira.

Abraço à navegação.
Eu, assim ao sol.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Imaginação fértil!

Este ano faço 38 anos. Não consigo mudar a minha descrição deste blog (ajuda precisa-se) que teima em dizer que tenho 34 anos (porra, que é burro!). Estou numa fase de adormecer todos os dias no sofá às 21h30 a ver filmes românticos da série B [não acredito que haja pior que isso]. Acordo e/ou acordam-me muito cedo e, à conta disso, ando a beber mais café para me manter decente. Ontem, levei uns imponentes saltos altos para o trabalho [dia de reuniões, portanto não ando a "rebolar" no chão com os meus mestres] que fizeram um sucesso do caraças, assim como o meu mini vestido. Um dos mestres lá da escola depois de um prolongado piropo [e de ter assistido a um  agachamento discreto], acrescentou:
- Eu vi-te o cu.
[Na realidade, viu apenas collant preto].

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sou uma vendida.

Quando criei este meu espaço, criei um espécie de irmão bastardo (facebook) onde, fui ao longo do tempo, partilhando as aventuras que por aqui ia vivendo. Depois da plácida morte do meu velhinho computador portátil, tornou-se mais cómodo e imediato registar as minhas memórias por lá. Hoje, vim aqui. Já não o fazia há mais de um ano. Tinha-me esquecido do como era bom escrever aqui.
Os meus filhos estão maiores  [o mais velho já tem 7 anos e a mais nova 4] e soube-me pela vida ler as minhas aventuras quando eram mais novos. 
Parece-me que estou em jeito de regresso.
A ver vamos!
P.s. A minha tendência crónica de deixar passar a validade dos iogurtes mantém-se.
Eu sei que isto nada tem a ver com o post, mas queria garantir que o meu regresso não passava despercebido! :)