Naveguem por este mundo sem validade!

domingo, 30 de junho de 2019

Conversas com a minha filha

Hoje, numa esplanada na marginal da Nazaré [conhecida por ter gelados maravilhosos em tamanho XXL, que eu não comi], enquanto esperávamos, eis que mais nova começa aos gritos [quase em êxtase], ao mesmo tempo que olhava em direção a uma loja [das quinhentas mil] de artigos regionais:
- Mamã, mamã!
- Diz filha!
- Está ali um senhor que nós conhecemos e que já morreu!
[eu sei que ela não costuma ter visões, mas...perante tanta euforia, estive ali uns microssegundos na dúvida...]
- O quê??
- Sim mamã, olha ali!! É aquele!
...
E aquele...era a imagem do Bob Marley numa toalha de praia!

[logo a seguir o mais velho, diz à irmã: "Ya...ele morreu de cancro da pele, aquele que tu dizes que tinha uma bolha na pele!"]

Era esta a foto.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Conversas com o meu filho

Ontem, o mais velho trazia dose extra de sono e má disposição e depois de ter sido contrariado (e, por consequência, não poder fazer o que queria), foi indelicado comigo. Depois do amuo da mãe, o pequeno percebeu que a coisa era séria e veio conversar comigo.
- Mamã desculpa.
- Tudo bem filho. Sabes que foste mal-educado?
- Sim. Mas, tu também sabes que quando dizes que eu sou mal-educado, é quase o mesmo que me dizeres que não me educas bem?
....
[Porra!]

As "merdas" que uma mãe tem de aturar!

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Nunca é o que parece!

Há uns anos atrás, uma das minhas "mestres" mais bonitas do universo "brincava" no recreio com um amigo numa simbiose corporal estranha. Foram ter com ela e perguntaram-lhe o que estava a fazer. Ela responde da forma mais genuína e sincera:
- Estamos a fazer fisioterapia.
Hoje lembrei-me dela. Ela era a personificação da boa disposição e alegria. 
Por isso, os sorrisos deste iogurte são para ti minha doce estrelinha F.



terça-feira, 25 de junho de 2019

Espera-me aqui amanhã, nesta mesma hora, fugiremos juntos.


Espera-me aqui amanhã, nesta mesma hora, fugiremos juntos.
Corri para casa, segurando o retrato dela como se fosse a última coisa que faria na vida. Encontrava-me confuso e submerso numa embriaguez diletante deste amor personificado a uma obra de arte pulsátil.
Chegado a casa, ofereci a minha alma a Nix e mantive-me sob o seu encantamento. Obedeci aos seus desígnios e sofri, sem precedentes, o poder de uma magia que transformou a minha simbiose com as horas, numa interminável viagem de hipóteses.

Espera-me aqui amanhã, nesta mesma hora, fugiremos juntos.
Relembrei todas as sílabas desta frase, sentindo o poder de cada uma, como se fossem notas musicais vibrando em taças tibetanas. Finalmente, viveria o nosso amor longe da argila que nos consumiu nos últimos anos e os monstros nela esculpidos.
Adormeci. Os meus sonhos saíram incólumes da minha memória, simplesmente anestesiados mas conscientes de que algo maior poderia terminar com o marasmo do meu corpo. Repetido em catadupa de imagens, estava o incauto sorriso dela. Acordei e adormeci novamente.

Espera-me aqui amanhã, nesta mesma hora, fugiremos juntos.
E o tempo chegou até mim, sóbrio. Apoderei-me dele, como se o violentasse. Ele não resistiu. Resignou-se e submeteu-se aos meus ímpetos. Era meu. Sentia-me orgulhoso, agora assumia-me déspota do tempo. O meu tempo. O meu momento de partir. Partir com ela. Ali, naquele espaço e naquele tempo iria esperar.
Iria esperar.

Espera-me aqui amanhã, nesta mesma hora, fugiremos juntos.
Iria esperar.
Iria esperar.

Iria esperar.

Ilustração  de Serenity Rose

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Um velho não é um cão.


O velho chegou arrastando as pernas metálicas. Anda em quatro apoios, mas não é um cão. Não gosta de andar depressa, mas gosta de mastigar lentamente os minutos debaixo da cama, esperando que ninguém o deflagre. Não tem sorte. O velho é conhecido pela vilania e, por isso, está mediante perigosa obediência a um binóculo fixo e diário. Mas o velho já não se importa. Passa os dias esperando a ordem de deitar, levantar e andar. Mesmo assim, a sua língua meliante mantém-se firme no ofício de protestar. A língua não envelheceu como o resto do corpo. A língua é o seu órgão do poder, o Terceiro Reich. São as suas ordens implacáveis que mantém o corpo a funcionar.

Não dorme a sesta. “O sono é para os preguiçosos”, entoa orgulhosamente para quem passa, como se de um hino se tratasse. Recusa-se a obedecer a línguas que não conhecem o seu corpo. Entre os tempos de deitar, levantar e andar a língua manda o hemisfério direito contar e calcular.
“O Manel tomou 700 cafés a mais durante este ano e eu já encontrei 930 palavras nesta sopa de letras e 93 sequências de dígitos.” Mostra-me o caderno com orgulho, como se mostrasse o primeiro dente do seu filho ou o cheque do seu primeiro ordenado. Coisas do tempo que levam tempo a ser contadas. Mas eu tenho tempo. Dou-lhe o meu tempo sem mais nada lhe cobrar.

Conta-me que mendiga o amor, tocando nos lábios mornos de um corpo presente, segurando-se à memória de um sorriso, onde outrora existiram dentes. Toma conta deste amor, dividindo o espaço à noite com quem partilha o mesmo oxigénio. Um ciclo de 60 anos que, em breve, poderá ter um fim terreno.

Não gosta de regras. Inveja a independência, mas resigna-se à relatividade da sua. Ainda controla os seus braços e não percebe porque não lhe deixam fazer a barba. “Temos medo que o senhor se corte”. O medo abaliza pequenos cortes na camada mais profunda do seu ser. Quem ganhou por direito o poder de os infligir?
As convicções dos outros comprometem a sua liberdade. A liberdade do velho. Ele diz: “elas são velhacas”. Elas chocam-se e embutem-se de demagogia: “é um pecado capital querer ser livre em forma exponencial à idade”.
Mas “elas” ainda não perceberam que ele apenas queria fazer a barba sozinho. Fazer a barba com as suas próprias mãos. Mãos que ainda conseguem segurar um lápis e produzir traços caçando palavras.


Um velho não é um cão.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

E ontem...foi dia de ir ao concerto do Manel Cruz...

….com as crias! Sendo que a hora prevista de inicio era às 21h30 e tendo a mais pequena dormido a sesta estava tudo mais que orientado para correr bem (pensava eu). O concerto começou às 22h com o JP Simões que é brilhante e peculiar (os meus filhos não conheciam). A meio da sua atuação, apenas ele e outro guitarrista, o JP agradeceu as palmas e, em jeito de ironia, disse que normalmente não costuma ter tantas. O meu filho mais velho ficou com a lágrima pronta e disse-me:
- Mamã, coitado...o JP Simões não costuma receber palmas agora tenho pena dele.
Eu tranquilizei-o, explicando-lhe rapidamente como funcionam as metáforas da linguagem. Aceitou e manteve-se atento.
Entretanto, a pequena já comia bolachas, bebia água pela enésima vez e já tínhamos ido ao wc duas vezes fazer chichi. 
O auditório estava cheio e eu contei cerca de 7 crianças ao todo, num universo de 600 pessoas. Era um número claramente inferior, o que gerava à nossa volta alguns sorrisos de simpatia mas também, muitos olhares de estranheza. 
A minha filha mais nova de 4 anos foi instruída, caso lhe perguntassem a idade à entrada do teatro, a dizer a seguinte frase:
- Eu tenho 6 anos, sou pequenina porque nasci prematura.
Mas não foi necessário (eu sei que não foi exemplar da minha parte ensiná-la a mentir, mas era por uma boa causa). 

Finalmente, começou o concerto do Manel Cruz. Os meus filhos tinham rejuvenescido. "Ele traz bateria" dizia a pequena. Cantaram algumas canções do novo álbum (que roda muitas vezes cá em casa) e um casal da fila de frente, virou-se para trás com um sorriso. Eu estava claramente contente pelo comportamento atento dos meus filhos até que, no espaço de 3 milésimos de segundo, declararam guerra. Voaram casacos, pontapés e tentativas de arranhadelas. O sono era mais que muito e a situação ganhou contornos complicados até que o Manel tocou "ainda não acabei" e os ânimos serenaram.

A meia hora do final do concerto, os meus filhos cederam ao peso do cansaço e das pálpebras. 
Hoje de manhã, a primeira a levantar-se foi a mais nova. Veio cheia de energia a relatar os acontecimentos do dia anterior. Pergunto-lhe o que ela gostou mais do concerto do Manel Cruz (cá em casa somos todos fãs) ao que ela me responde, fazendo a seguinte observação:

- Ele tem um umbigo pequenino.
(sim, ele tirou a t-shirt, como é habitual, e a maior parte do concerto tocou em tronco nu, o que não foi nada mau de se ver, digo-vos já...)

E a minha filha é uma observadora nata.


terça-feira, 18 de junho de 2019

Quando o meu filho de 7 anos descobre o que eu ando a ler...

...e pede, no expoente máximo da malandrice, para ler o título em voz alta….
Eu, primeiro, fico sem resposta mas acabo por autorizar uma leitura (implorando a todos os santinhos que ele nunca mais se lembre desta palavra, mesmo sabendo que isso é absolutamente irreal).


segunda-feira, 17 de junho de 2019

Eu sabia que, quando lá chegasse, eu seria capaz de falar.

Subi mais um lanço de escadas. Levava comigo um saco cheio de intenções. Eu sabia que, quando lá chegasse, eu seria capaz de falar. Sabia-o como se de um procedimento cirúrgico se tratasse, sabia-o tal como sei a hora do meu nascimento e o meu índice de apgar. Sei-o, porque treino. Treino-o compulsivamente. “São estratégias que enganam as doenças da memória”, disseram-me um dia em que me esqueci de comer. Comecei a treiná-las nas horas em que a noite adormece, para além da janela do meu quarto. Não hei-de morrer sem saber quem eu sou. Penso e repito para dentro, para que todos os meus órgãos internos ressoem esta ideia e me obedeçam. Acendi um cigarro a meio da minha escalada íngreme. As escadas pareciam não ter fim. Testo o meu pulmão ao limite. Canso-o e cedo por breves segundos. O meu encontro está para breve. A ideia do meu encontro serve-se de mim. Repudia-me pensar na dependência física das palavras. Mas não desisto, não agora. E o agora já tinha durado tanto tempo. Não conseguia esperar mais. Eu sabia que, quando lá chegasse, eu seria capaz de falar. Sem corrimão, e já numa altura desconfortável, padeço de alterações no sistema labiríntico e quase desisto. Quase fui traída pelo meu próprio ouvido. Talvez fosse o medo a proteger-me de ouvir. Que estranha perversidade do medo. Em vez de parar e descer, aumentei a velocidade dos meus passos. Agora, era a pessoa que corria a subir as escadas. Corria como se estivesse a dar o meu melhor numa prova de esforço. Ridícula.  Mas o meu foco era o encontro. O vislumbre daqueles breves segundos em que eu falaria, suportavam qualquer débito doloroso de oxigénio.  Eu sabia que, quando lá chegasse, eu seria capaz de falar. Chego. Senti as mãos dormentes e, como se não fosse suficiente, todos os movimentos do meu corpo, estavam entorpecidos e atrofiavam toda a minha suposta espontaneidade. Resolvo o problema com a minha imobilidade vertical. Preciso que os músculos se alinhem e me devolvam a identidade. Devolvo-me. Dou três passos e encontro-o. Finalmente, a espera terminou. Olho-o e percebo. A coragem ficou nas escadas, assim como o saco cheio de intenções. Esse, perdeu-se durante a corrida.  Sucumbo ali aos seus pés e morro por dentro, muda.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Conversas com os meus filhos

(Enquanto víamos o noticiário desta manhã)
O mais velho, lendo os títulos em rodapé, comenta:
- Espero bem que não apareça o Donald Trump!
A mais nova pergunta-lhe:
- Quem é o Donald Trump?
O mais velho, responde:
- É um palhaço assassino.
(ainda não consegui perceber onde foi ele buscar esta ideia)
É parecido?
(retirado da net)

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Aviso já, que o post é grande como tudo! (rescaldo da ida ao Preço Certo e não só)


Não faço parte da geração aficionada no programa do Preço Certo. O primeiro programa que vi foi ontem e in loco. O Fernando Mendes pareceu-me uma pessoa genuína, cheia de humor e boa disposição e isso, na verdade, é contagiante. 

Para mim a experiência de ontem teve algumas peripécias e, prometida a minha análise, aqui vai:

De forma bruta e crua, são nada mais, nada menos que 7h30 dentro do mesmo local, com as mesmas pessoas…a ser ensinados como e quando devemos bater as palmas…A ir para ali e depois sair e outra vez, tipo animais de circo (cujas práticas de adestramento eu abomino).  Dentro destas circunstâncias, existiam verdadeiros fãs, a vibrar com toda a energia criada por entre câmaras, luzes e o famoso Betão que está ali com a função de animar e entreter as pessoas.

Bom, quanto a mim, ainda não tinha entrado à porta do estúdio e matei um moscardo gordo e doloroso com as minhas próprias pálpebras. O sacana entrou vivo, mordeu…irradiou todo o meu globo ocular de rosácea e, depois, lamentavelmente foi retirado já inanimado, fruto de muitas piscadelas e água corrente. 

Na sala de espera, existiam vários grupos, tal como aquele onde eu pertencia. Mas havia um especial. O remunerado. Estavam bem vestidos e cheirosos (ao contrário de todos os outros que já traziam quilometragem nos músculos e algum [muito] suor à mistura), receberam vales. Ficaram visivelmente satisfeitos e seguiram para o programa da Tânia Ribas de Oliveira. Segundo, uma conversa que acabei por ouvir  entre duas colegas do público desse programa: “Já recebemos do programa da manhã de hoje”. Pelo que apurei, passaram o dia inteiro a assistir a programas. Não critico, apenas me faz pensar.

Gravámos um programa e aparecemos no direto. Ao meu lado estava um senhor chamado Alberto. Estava ali pela primeira vez, tal como eu. Contou-me em 7 minutos a história da sua vida. Órfão de mãe aos 4 anos, rejeitado pelo próprio pai  aos 7 anos.  Andou em “casas de patrões” a trabalhar, casou e teve 5 filhos. Criou um neto, agora com 18 anos e ofereceu-lhe a carta e um carro, tudo à custa do seu trabalho. Reformou-se aos 60 anos. Segundo ele, teve sorte. Gostou de mim, segundo me confidenciou. 7 minutos apenas e a partilha desta história foi imensa. Sem preço ou tempo, de uma generosidade incrível.

A responsável do nosso grupo jogou mas não foi bafejada pela sorte e no final, o sentimento era ambivalente. Ganhar era o nosso foco. E não ganhámos nada. Os prémios viriam para a nossa instituição. A causa que nos moveu aquelas 7h30 era nobre. Mas a sorte tem destas coisas.

Seguiu-se uma visita íntima ao Santo António pelas ruas de Alfama, Vila Berta, São Vicente, Graça, Mouraria… tudo isso com um propósito: enaltecer uma das coisas boas da vida, os amigos. Mas o frio e o vento nessa noite nos bairros de Lisboa era cortante e maquiavélico e eu, acabei por pedir um “café da avó” (muito comum na minha zona e em festas populares, devo-vos dizer!). O produto não é comercializado nas tascas da capital e eu fiquei envergonhada (só um bocadinho). Encontrar algo vegetariano por ali também não foi fácil, mas a prova foi superada: empada de espinafres e cogumelos, a contrastar com as sardinhas e caracóis que os meus amigos comiam. 

No final, a cereja no topo do bolo: parque de estacionamento (onde o meu veículo arrefecia e esperava ansiosamente pela condutora e suas companheiras de bordo) estava fechado. Os cenários daquela ideia avultavam-se e entorpeciam-me a minha racionalidade. Felizmente, há sempre alguém com capacidade de desenvolver novos cenários e possibilidades. Encontrámos nova entrada (desta vez aberta) e lá conseguimos sair sãs e salvas. Chegada a casa e ainda, a sentir o sangue pulsar e a contar as horas a menos que eu iria dormir, o sono tranquilo dos meus "mais que tudo" reinava por toda a casa, num silêncio enternecedor. E eu agradeci a dádiva a que os meus olhos cansados assistiam.



terça-feira, 11 de junho de 2019

domingo, 9 de junho de 2019

A menina das formigas.

Não, não cresci depressa demais. Conjugo o verbo brincar em todos os tempos e associo-lhes memórias, imagens e sensações de forma imediata. Gosto de rir sem razão, mesmo que isso à minha volta cause estranheza. Compadeço-me sempre com o vaguear de um animal abandonado. Tento arranjar um escudo mental que me proteja da informação do mundo que chega até mim. No entanto, sem grande eficácia. Impressiono-me com histórias felizes e, logo, o vislumbre da humanidade surge, aligeirando tudo o resto.
 Arrepio-me com a música. Todas as células do meu corpo vibram com a melodia tatuando na minha pele, de forma perene, os decibéis de uma voz humana. 
Tenho dificuldade em viver o tempo devagar. A velocidade é o um dos meus problemas. Em pequena, era a menina das formigas. A menina das formigas passava o tempo quente com toda a paciência que, a perícia de colocar torrões de açúcar dentro dos formigueiros, o exigia. O tempo não era um problema para esta menina. Esta menina acreditava que estaria a poupar as formigas de um cansaço extremo. A menina das formigas não imaginava que poderia estar a determinar um destino fatídico para aqueles formigueiros. A menina das formigas sabia abrandar. Às vezes, quero encontrá-la, pedir-lhe que me discipline no meu espaço, onde o meu eu agora subsiste. 
E ela vem. 


sábado, 8 de junho de 2019

Qual a probabilidade de...

...ter queimado o céu da boca com o café da manhã, logo a seguir ter a infeliz ideia de usar o secador para aquecer uma tira de cera depilatória e usá-la quente no buço (três camadas pastosas de biafine ainda não disfarçaram o problema) e ainda, deslizar em soalho de madeira lembrando que também os gluteos e o cóccix são partes do corpo dolorosas...tudo isto entre as 7h30 e as 8h da manhã? 
A probabilidade de que tudo é possível com a mamã iogurte. 
Hoje, em franca convalescença.
Isto poupava imenso trabalho.
(Retirado de: https://www.vortexmag.net/10-ideias-erradas-que-os-estrangeiros-tem-sobre-os-portugueses/)

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Conversas com o meu filho

- Mamã eu nunca me vou casar! Quero viver nesta casa para sempre!
- Queres viver nesta casa com os papás? pergunto.
- Não. Quando forem velhos vão viver para o lar.
(cara com um misto de espanto e desilusão)
- Mamã, então mas vocês não se importam pois não? É que quando tiverem alzheimer é melhor irem, está bem? Não fiques triste!
E eu não fiquei (quer dizer só um bocadinho).
Imagem retirada da net

quarta-feira, 5 de junho de 2019

A Aparição.

Ontem acabei a minha "incursão" pela "Aparição" de Vergílio Ferreira. Nunca tinha lido, aliás, não me lembro de ter feito esta viagem literária no 12 º ano (na minha altura era obrigatório...provavelmente devo ter lido apenas o resumo) e se a tivesse feito com 17 anos, penso que não teria dado o devido valor a esta obra. Nessa altura, era demasiado imatura e pouco humilde para ler e reler frases vezes sem conta à procura de um sentido, de um entendimento do que as palavras me estariam a dizer. Agora, os meus 3 ou 4 cabelos brancos (nem me olho no espelho com pormenor, com receio do aumento da contagem) sempre fizeram a diferença. Fico com aquela sensação de que estou munida de estratégias existencialistas para lidar/pensar com e sobre a morte. Pelo menos tentar vê-la sobre nova perspetiva. Mas a realidade, lembrou-me que  não passa de uma sensação pois, na semana passada, a morte saiu à rua impiedosamente a uma jovem de 27 anos (que eu conhecia) e nada de filosófico lhe encontro. Apenas, a ideia trágica que num segundo tudo muda de uma forma completamente irreversível.




(À estrelinha que foi brilhar cedo demais, aqui fica a minha "aparição" e o desejo que brilhes sempre na memória de quem fica para te lembrar)

terça-feira, 4 de junho de 2019

Conversas com os meus mestres

O calor tem apertado e não há calças de ganga que se aguentem, por isso, ontem fui trabalhar de vestido [sempre que alguém no meu trabalho resolve vestir saia ou vestido, ninguém passa despercebido aos olhos dos nossos mestres]. 
Passava tranquilamente no corredor, após toque de campainha quando fui interpelada por um dos mestres que, normalmente, são dos mais atentos às mudanças de visual do género feminino.
- R.R. olha as tuas pernas!
- Sim, hoje faz muito calor T. e, por isso, achei que era boa ideia! 
- Boa ideia não, o T. quer mexer nas pernas das meninas bonitas.
[seguiu-se a forma pedagógica com que resolvi o assunto]
- Mas a RR não é menina bonita.
E o T. saiu a rir.
Igualdade de direitos!

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Mamã iogurte, ou melhor, "Marie Christine"

Estávamos em 1919 e "Marie Christine" foi o meu personagem deambulante que andou pelas ruas fora, este fim-de-semana. Uma senhora de respeito que esteve emigrada em França e se apaixonou por um soldado português que por ali passou, após a I Guerra Mundial. Embutida pelo amor à primeira vista veio para Portugal para reencontrar o seu soldado, mas nunca o conseguiu fazer. Desiludida com o rumo da sua vida, inscreveu-se numa agência matrimonial, "Matrimonial Club of New York" do Porto. Era descrita com um dote de 300 contos, falava línguas e ainda que tinha muitos bons conhecimentos práticos sobre as lidas domésticas! Um bom partido, não havia dúvida!
Há 100 atrás, esta agência era o mais próximo daquilo que hoje é conhecido como o tinder (aplicação de encontros).
Devo-vos dizer que nenhuma das agenciadas que vaguearam e palmilharam as ruas estes dias arranjaram par. Casamentos vantajosos era o que os nossos agenciadores apregoavam e mesmo assim, ninguém fechou negócio connosco!
Aqui fica o registo da mamã iogurte, ou melhor da "Marie Christine" e os seus parceiros do crime! 




sábado, 1 de junho de 2019

Ele há coisas estranhas!

Todos os dias o feed do meu Facebook mostra-me em jeito de post's patrocinados novos produtos no mercado chinês. Ora, hoje fui presenteada com estas "meias carne". Um mimo, portanto. 
[Alguém avise a rede social que esta mamã iogurte não come carne e que isto é tudo menos fixe, pleasseeeeeeeeeeee!]